Era um 13 de dezembro qualquer… mas só até a bola rolar. Naquele dia, o São Paulo Futebol Clube estava prestes a fazer história. Do outro lado, ninguém menos que o Barcelona de Johan Cruyff, um dos times mais fortes do planeta. Guardiola, Koeman, Laudrup, Stoichkov… nomes que impunham respeito. Mas quem vestia aquela camisa branca da marca Penalty, com gola clássica e listras tricolores imponentes expostas no peito, sabia que não existia missão impossível. O Tricolor não viajou ao Japão a passeio. Foi para ganhar.
Antes de Tóquio, houve um longo caminho. E ele começou lá atrás, em 1989, quando Telê Santana chegou ao Morumbi. Mestre do futebol bonito, Telê pegou um São Paulo em reconstrução e, peça por peça, montou uma máquina. O primeiro grande teste foi o Brasileirão de 1991. Comandado por Raí, o Tricolor bateu o Bragantino e conquistou o título nacional. Mas Telê queria mais. O foco agora era a Libertadores.
Em 1992, a campanha na Copa Libertadores da América começou turbulenta na fase de grupos, com uma derrota por 3×0 para o Criciúma. Mas quem vestia aquela camisa com seu escudo estampado no peito, não desistia fácil. O São Paulo se levantou: venceu por 3×0 contra o San José, empatou em 1×1 com o Bolívar, goleou por 4×0 o Criciúma (revanche com juros) e manteve o equilíbrio com um empate em 1×1 contra o San José e uma vitória por 2×0 contra o Bolívar.
Classificado, o Tricolor encarou duelos eletrizantes: no mata-mata das quartas de final, venceu o Nacional (URU) por 1×0 na ida e 2×0 na volta. Na semifinal, com sufoco mas classificado, superou o Barcelona do Equador, vencendo por 3×0 no Morumbi e perdendo por 2×0 fora de casa. Na final contra o Newell’s Old Boys, perdeu o primeiro jogo por 1×0 na Argentina, mas se reergueu no Morumbi com uma vitória de 1×0, levando a decisão para os pênaltis, onde Zetti brilhou, defendendo 3 cobranças e garantindo o título inédito da Libertadores. A América do Sul jamais seria a mesma, agora pintada de vermelho, branco e preto, viu o São Paulo garantir vaga no Mundial daquele ano.

Agora, o desafio final era o Barcelona. O Tricolor entrou em campo em Tóquio sabendo que não seria fácil, mas já provando que não temia gigante nenhum. Quando o Stoichkov abriu o placar para o Barcelona, muitos esperavam que o time se abalasse. Mas quem vestia aquela camisa tricolor sabia que a história estava longe de ser escrita. Em um contra-ataque rápido, Müller puxou a jogada e deixou Raí na cara do gol. O camisa 10 não perdoou e empatou o jogo. O Barcelona sentiu o golpe e, com Raí, o São Paulo tomou o controle da partida. Aos 34 minutos do segundo tempo, chegou o momento mágico: Raí cobrou uma falta perfeita, a bola fez uma curva inacreditável e balançou a rede. O Tricolor virou a partida e segurou o resultado até o fim.
O São Paulo não apenas venceu. Ele encantou o mundo. O jogo terminou 2×1, e o time de Telê Santana se consagrou campeão mundial. Mas o que aquele time estava vestindo não era apenas um uniforme ou um pedaço de pano. Aquela camisa branca com gola clássica se transformou em um símbolo, no verdadeiro manto sagrado, que representava o espírito indomável de um time que acreditava até o fim.

Em cada jogada, em cada passe, em cada gol, a camisa tricolor foi a verdadeira protagonista da história. Seja nas batalhas contra os gigantes da América ou contra o mundo, ela vestiu heróis que jamais serão esquecidos. A cada vitória, a camisa encantava ainda mais.
O São Paulo de 1992 não apenas conquistou o mundo. Ele se eternizou na história do futebol. Tudo começou com Telê Santana, o mestre que idealizou, e continuou com um time que acreditou, e com uma camisa que virou lenda. Mais uma vez, a moeda caiu em pé, e, com ela, o Tricolor levou para casa não apenas o troféu, mas a certeza de que o impossível é só uma palavra vazia quando se tem coração, garra e alma. Até hoje, o torcedor do São Paulino carrega essa história com orgulho, lembrando com emoção cada momento mágico daquela campanha histórica. A camisa, o manto sagrado, continua a ser um símbolo vivo da luta e da vitória que marcaram o futebol mundial.





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